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Inclusão pelo esporte: Porto Alegre terá segunda oficina de rugby para pessoas LGBTs

Inclusão pelo esporte: Porto Alegre terá segunda oficina de rugby para pessoas LGBTs
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Atividade acontecerá no próximo domingo (25.11)

Respeito. Um dos valores defendidos pelo rugby. E é baseado nele e nos demais quatro -integridade, solidariedade, paixão e disciplina – que nasce no Rio Grande do Sul uma iniciativa: oficinas de rugby para pessoas da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros). As atividades, além da inclusão e a valorização dos integrantes dessa comunidade, busca também trabalhar com a própria autoestima de gays, lésbicas e transexuais por meio da prática esportiva.

O segundo encontro ocorrerá neste domingo (25.11) das 15h às 17 horas na Praça Darcy Azambuja – Intercap / Partenon em Porto Alegre. A primeira oficina ocorreu no dia 11 de novembro. A ideia é tornar as oficinas com periodicidade quinzenal, nos mesmos horário e local.

Primeira oficina

1ª oficina de rugby para LGBT - exercícios 2

A primeira oficina prática de rugby do Rio Grande do Sul para comunidade homoafetiva contou com o apoio de dois clubes gaúchos: A Associação Pampas Rugby de Esteio e o Guasca Rugby de Porto Alegre. Os padrinhos Israel Quadros (Pampas) e Fernando B.Couras e Cristian Machado Mello (Guasca) colaboraram no treino ensinando noções básicas da modalidade.

Rugby para LGBTS: inclusão e autoestima

A iniciativa foi desenvolvida pelo acadêmico de filosofia da UFRGS, Ivan P. Quintana. Com 29 anos, ele pratica o esporte há algum tempo. Já jogou por times como o Maragatos Rugby Clube – equipe da cidade de Sapiranga – bem como por outro times das cidades do Vale do Sinos.

Ivan sempre quis praticar esportes e encontrou no rugby uma oportunidade, inclusive para quem, como ele era na época, gordinho. Ele identificou no rugby uma modalidade esportiva de inclusão, com espaço para pessoas com diferentes características físicas.

“Ainda existe uma raiz que cresce na concepção de que membros da comunidade LGBT não seriam capazes de jogar rugby, por ser uma coisa que exige um corpo fortão e tal. Enganam-se, o rugby é o mais inclusivo dos esportes. E são os corpos não padronizados que tomam preferência, a priori”, acredita Ivan.

Depois de se mudar para Porto Alegre nesse ano, o acadêmico pensou em desenvolver uma atividade que pudesse proporcionar um espaço para esse público.

“Queria viabilizar um espaço para que membros da comunidade LGBT que tem problemas de autoestima pudessem se sentir à vontade e conhecer uma via de alternativa. As oficinas são recentes, o pessoal ainda é tímido”, analisa.

Essa timidez, no entanto, deve dar lugar à participação ativa com a continuidade das oficinas. A intenção do organizador é que elas continuem ocorrendo até final de 2018. Em 2019 o objetivo é se unir a clubes poliesportivos LGBTs para “ser mais um viés inclusivo pra jovens pertencentes a essa realidade”, afirma Ivan.

Esporte contra o preconceito

Segundo dados do Grupo Gay da Bahia, até outubro de 2018 ocorreram 346 mortes de LGBT por crime de ódio no Brasil. Fundado em 1980, o Grupo Gay da Bahia é a mais antiga associação de defesa dos direitos humanos dos homossexuais no Brasil.

Além da violência praticada por outros, o preconceito acaba gerando também a falta de aceitação própria. Conforme um estudo da Universidade de Columbia (EUA) que contou com a participação de 32.000 participantes, a chance de uma pessoa LGBT cometer suicídio é 5 vezes maior que um jovem heterossexual. Ainda em outra pesquisa, descobriu-se que 3% dos homossexuais e 5% dos bissexuais já tentaram cometer suicídio. Número muito superior ao da população em geral, que é 0,4%. Um em cada dezesseis homossexuais com idade entre 16 e 24 anos tentou tirar a sua vida.

A iniciativa de Ivan também tem a intenção de aumentar o amor próprio dos integrantes desses grupos.

“Tem aumentado o número de suicídios na comunidade LGBT, e muitos relacionados a não aceitação de si enquanto indivíduo. O rugby tem a prerrogativa de amá-lo na medida em que sinta chamado a jogar”, ressalta.

Assim, Ivan lembra que os treinos para pessoal homoafetivo é aberto a todos, basta querer participar.

“Todos são bem vindos! Acolher esses indivíduos é se permitir tentar coisas novas e conhecer gente nova. Sair, rir e brincar jogando um esporte novo nos trópicos, mas com forte histórico de crescimento. Gays, lésbicas, transexuais e todo membro é chamado a jogar, tendo como única condição: Se permitir.”, convida Ivan.

Os pioneiros no Brasil

O primeiro treino de rugby LGBT no Brasil aconteceu no dia seis de maio de 2017. A atividade aconteceu no Obelico do Ibirapuera em São Paulo/SP. Os responsáveis pela iniciativa foram Bruno Kawagoe, Marcelo Cidral e Alan Alves. Os treinamentos deram origem ao Tamanduás-Bandeira Rugby Club – o primeiro time de Rugby pela Inclusão da Diversidade Sexual no Brasil.

 

2ª Oficina Prática de Rugby para comunidade LGBT em Porto Alegre

Data: Domingo (25.11)
Horário: das 15h às 17h
Local: Praça Darcy Azambuja – Intercap / Partenon – Poa/RS

Magia Sport Club é o primeiro campeão do GayPrix de Vôlei

 

Texto: Nathália Ely/Travinha Esportes
Fotos: Divulgação/Ivan P. Quintana

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