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Mulher no beisebol e diretora de equipe: papo com Emi Kyouho

Mulher no beisebol e diretora de equipe: papo com Emi Kyouho
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Emi Kyouho fundou e dirige o BH Capitals

Mulher no beisebol Emy Kyouho

Tem mulher no beisebol em Belo Horizonte, Minas Gerias. Além de ocupar todas as posições no campo de beisebol, as mulheres também estão assumindo o comando das equipes. É o que acontece com o BH Capitals. O time foi fundado e desde então é dirigido por Emi Kyouho.

Natural de Campinas, ela começou jogando softbol em 1985. Assim, meio por um acaso, quando foi jogar futebol em um campo e encontrou meninas praticando softbol. E desde 2011 atua também no beisebol. De lá para cá, atuou em seis times – Ipiranga Beisebol Clube, São Bernardo do Campo, Seleção Brasileira, Combat(JP), Ishida(JP), contando o BH Capitals. A paixão pelo esporte a levou a fundar a Associação Mineira de Cultura Nipo-Brasileira (AMCNB) e o BH Capitals. Aos 48 anos ela continua acreditando e batalhando pelo desenvolvimento das modalidades.

Mas deixemos que ela conte a sua própria história e como lidou e lida com o preconceito.

TRAVINHA ESPORTES – De onde veio essa vontade de começar a jogar Softbol e Beisebol?
EMI KYOUHO – Não veio. Simplesmente fui jogar futebol num campo no meio da favela Heliópolis/Ipiranga em São Paulo com outros meninos. Porém lá neste dia, haviam algumas garotas nikkeys que estavam treinando softbol e o técnico Homma-san e elas acharam que eu estava perdida e começaram a me treinar softbol. Ficaram surpresos quando fui embora com o povo do futebol. Semanas depois conseguiram meu contato, falaram com meus pais e aí sim entendi que não eram umas pessoas aleatórias brincando com um equipamento diferente e sim a equipe Ipiranga. Apesar de meus pais serem japoneses não conheciam o time e até ficaram felizes em saber do interesse do time em mim, e eu no esporte.

TE – Falando especificamente de Beisebol, no começo você enfrentou algum preconceito por querer jogar Beisebol? Se sim, como foi lidar com isso?
EMI – Em 1985, o time Ipiranga tinha suas bases em uma escola de língua japonesa. Lá sendo os professores muito tradicionais ( caretas mesmo) não aprovavam a ideia do time de softbol, apesar de apoiar o time masculino de beisebol e o de adultos de softbol. Começava aí minha percepção que as mulheres não eram bem vindas em atividades esportivas, seja elas quais forem. Ainda havia o estigma da “bela, recatada e do lar”. Eu adorava a Esther Bueno e a Nádia Comaneci, mulheres que brilhavam no esporte. Recentemente, ouvi que eu não deveria estar no time (que eu fundei) para conduzir o beisebol, uma vez que minha vivência foi no softbol. Foi duro, mas dedicação talvez seja a moeda mais valiosa de nosso esporte que as críticas. Fora este episódio, seguimos em nossa luta em melhorar nosso esporte por aqui, com os adultos e com as crianças. Um passo de cada vez.
Mulher no beisebol Emy Kyouho 4
TE – Quando você passou a jogar em clube? Conte um pouco da sua trajetória.
EMI – Joguei parte de minha adolescência no Ipiranga e quando o campo do Heliópolis foi tomado pela prefeitura da gestão de Jânio Quadros, parte do time migrou para o São Bernardo do Campo e eu fui junto com estes amigos. Também tive a oportunidade de jogar em duas equipes no Japão, de forma recreativa, mas interessante pois os treinos eram um pouco diferente durante minha vivência por lá.

TE – Você hoje é a diretora de esportes do BH Capitals. Como foi formar essa equipe?
EMI – Sou Diretora de esportes da AMCNB (Associação Mineira de Cultura Nipo-Brasileira). Rapidamente montamos o BH Capitals. Eram amigos que já estavam ansiosos em montar um novo time em Belo Horizonte, e tudo foi mais fácil, todos ajudaram em alguma tarefa pra fundar o time, foi lindo! Graças ao publicitário Vinicius Pereira e artista Edu Sá temos a Logo do Samurai.

Site, fanpage aconteceram rápido, o que ajudou na identidade, divulgação de nossos propósitos e atividades. Assim, em seguida Breno Miyazaki apresentou nosso time a Associação Mineira de Cultura Nipo-Brasileira que nos ajuda muito em nossas conquistas e evolução do esporte, apadrinhando-nos e eu fui atrás de espaço para a prática na secretaria de esportes e equipamentos entre amigos de São Paulo e Confederação.

TE – Como é trabalhar e ensinar pessoas de diferentes idades querendo jogar beisebol?
EMI – Estou sempre aprendendo a lidar com as pessoas e seus anseios pelo esporte em nossa equipe. Temos bons jogadores com muita qualidade técnica e também os iniciantes, além de adolescentes, crianças e novatos. Tentamos acomodar todos e fazer um conjunto, ora dedicando tempo para a prática do beisebol, ora para o softbol. Ainda não consegui tempo para fazer o que mais sonho: um time feminino de softbol.

Como eu joguei minha adolescência em times da comunidade Nipônica, a forma de nos organizarmos era de cooperativa, tudo junto. A receita de cada lugar é diferente, e aqui trilhamos o caminho das captações de patrocínio. Quando adolescente, nunca me passou pela cabeça o quanto é trabalhoso e árduo organizar um time. Era muito simples ir lá e jogar, levando luva e chuteira. Hoje sou eternamente agradecida a quem organizou as equipes, local, jogos, verbas na minha juventude. Minha felicidade no beisebol e no softbol será completa se disso tudo que vivencio eu conseguir perpetuar novos entusiastas.
Mulher no beisebol Emy Kyouho 2
TE – Agora falando de Beisebol no Brasil. Como você enxerga a divulgação desse esporte em nosso país?
EMI – Eu sempre joguei em São Paulo. Os times e tudo mais circulam no eixo Paraná/São Paulo, pois o esporte se confinou na colônia japonesa e em sua forma de se organizar em cooperativas. Também há alguns times antigos em locais onde há descendentes japoneses. Hoje, lidando com o esporte em Belo Horizonte, que não tem a tradição, percebo que a forma de evoluir é através de parceria com o poder público, por um local de treino, e patrocínios.

Hoje em dia com a força das mídias sociais percebo que muitos times nasceram em diversos locais e aos poucos começam a evoluir, independente de ter ligações com SP e PR. O Brasil é muito grande! Vejo com muita alegria blogs, canal no youtube e sites novos interessados em divulgar o esporte , ajuda imprescindível para a popularização e até a troca de notícias dos muitos grupos novos pelo país. Chegou nossa hora de expandir e promover.

TE – E a mulher atuando no Beisebol? O que você acha que falta para que esse esporte cresça para o público feminino?
EMI – Eu desejo acima de tudo que tenhamos mais mulheres no esporte. No beisebol seria apenas mais um esporte. Tanto beisebol como softbol precisam evoluir muito, ter mais praticantes – beisebol feminino e masculino e também softbol feminino e masculino. Essa é a minha opinião: beisebol feminino será apenas uma evolução da expansão do volume de praticante. Uma migração de jogadoras de softbol é muito bem vinda ao beisebol , assim como ocorrem migrações de praticantes do beisebol para o softbol.

TE – Por teres atuado nas duas modalidades como o Beisebol e o Softbol, o que esses dois esportes significam na tua vida!
EMI – O que mais me alegra nestas duas modalidades é o fato de serem, no meu ponto de vista, uns dos mais democráticos: temos funções e lugares para todos os tipos físicos, magros e gordos, altos e baixos. Lidar com estes esportes, conhecer tantas pessoas dedicadas e suas histórias, tanto atletas como voluntários em prol dele, por isto só já bastaria de felicidade, mas acima de tudo é um esporte emocionante.

 

Entrevista: Marcus Von Groll/Travinha esportes
Texto: Nathália Ely/Travinha Esportes
Fotos: Arquivo Pessoal/ Emy Kyouho.

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