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Beisebol também é jogo de mulher: conversa com Nadine Campos

Beisebol também é jogo de mulher: conversa com Nadine Campos
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Um anime influenciou a atleta

Nadine atua no Cariocas

O motivo pelo qual Nadine de Campos da Silva começou a jogar beisebol é até curioso. Foi um anime – animação japonesa – em que uma menina praticava o esporte, que a desafiou a jogar também. No início de março de 2013, foi à procura de um time e encontrou o Cariocas. Hoje, aos 21 anos atua com catcher.

O espírito esportivo vem também de ter praticado outros esportes, como natação, vôlei e o futebol – o qual ela jogou competitivamente ate 2012. A dinâmica de jogo do beisebol a atraiu e hoje ela continua jogando porque gosta. Tornar-se profissional não é um objetivo, mas sim mostrar que mulher também joga beisebol. E, talvez, ser exemplo para outras começarem a praticar beisebol e assim, quem sabe, criarem uma Seleção Brasileira Feminina. Preconceito? Ela não deixa a atingir. Aliás, ela não deixa ninguém dizer o que ela pode ou não fazer.Como?

Confira a entrevista que o Travinha teve com ela e saiba mais do que ela pensa

Travinha Esportes – Por que jogar beisebol? O que achas que essa modalidade tem de diferente que a atraiu e a faz continuar jogando?
Nadine Campos – O motivo que eu fui jogar beisebol é meio estranho. Foi porque eu vi um anime muito famoso no Japão chamado Major que eu gostei muito. Eu fiquei muito motivada a jogar porque nesse anime, logo nas primeiras temporadas, havia uma menina que jogava (a personagem devia ter uns 12 anos ) e ela era muito boa, tão boa quanto o protagonista.Mas no final da temporada ela se vê obrigada a parar, por que ela era mulher e não devia jogar beisebol. Assim, o anime segue e ela nunca mais aparece.

Aquilo me atraiu ao esporte. Foi como um desafio, já que ela não podia mais jogar eu iria jogar, porque não acho que pelo fato de ser mulher me incapacite de fazer qualquer coisa. Principalmente de jogar um esporte a nível amador. Sobre a modalidade, acho muito atrativo o fato do jogo ser extremamente estratégico para esportes. Além de ter uma dinâmica de jogo muito boa. Agora eu continuo jogando simplesmente porque gosto do esporte.

TE – Por ser um esporte predominantemente masculino, chegaste a sofrer algum preconceito ou dificuldade no início?
Nadine – Essa é uma pergunta meio difícil de responder, eu não sei se definiria que sofri preconceito. Eu vou esclarecer melhor. Como estou num esporte muito masculino, nunca deixei que me tratassem de modo diferente. Então isso me levou a sempre ter uma atitude mais masculina. Meu uniforme é igual aos dos meninos do time, eu sempre treino no mesmo ritmo que eles, corro o mesmo número de voltas. Não há nada diferente entre eu e meus companheiros de time. Se me machucar, levanto e volto a jogar.

No momento que eu vou treinar pra conseguir jogar com os homens, eu não posso ser diferente pra ninguém ficar falando que sou mulher e por isso sou mais fraca e tal. Isso me leva a ter sempre uma atitude exemplar diante deles. Mas mesmo assim, todo campeonato que vou, os homens ficam impressionados, muitos ficam me perguntando se eu devia jogar, se não vou me machucar. Geralmente depois dos jogos consigo mostrar pra eles que posso jogar e sei jogar. Apesar de tudo, sei que a maioria dos homens não fala isso por mal, acho que tudo que é novo causa estranheza.

TE – E como são os treinamentos hoje? Por ser uma das únicas mulheres no esporte, treinas com os homens? Como é essa relação?
Nadine – A diferença é somente quanto a minha posição como catcher. Muitas vezes faço treinos extras com o arremessador, pra podermos treinar arremessos e coisas específicas dessas duas posições. Tirando isso, eu treino normalmente com os homens. No meu time não há nenhum problema em mulheres jogarem. Então, todos no time estão acostumados. Nunca tive nenhum problema quanto a isso. Nunca deixei que me tratassem de modo diferente por ser mulher. Sempre fiz questão de fazer tudo no treino igual a eles.

TE – Quais os maiores obstáculos e desafios de jogar beisebol no Brasil?
Nadine – O maior desafio no beisebol é o fato de não ter nenhum apoio do governo pra infraestrutura e divulgação da modalidade. Em São Paulo ainda tem mais times e mais locais pra jogar, porque há maioria dos jogadores de lá são descendentes de japoneses e jogam em regiões onde moram. Geralmente no interior, mas há times na cidade. Aqui no Rio e em outros lugares pelo Brasil é muito difícil, porque não temos por exemplo um campo de beisebol de verdade. Normalmente temos que adaptar campos de futebol e tal. Campos oficiais só em São Paulo e não dá pra ficar indo pra lá sempre. Então só conseguimos jogar em campos oficiais de duas a três vezes por ano.

Aqui no Rio ainda temos um agravante que todo ano, por algum motivo, a prefeitura cede nosso campo na Lagoa Rodrigo de Freitas pra eventos que não tem nada a ver com beisebol. A última vez, nosso campo foi tomado pra ser a casa da Suíça nas Olimpíadas. Enquanto vários esportes eram incentivados, o beisebol estava sendo destruído no Rio porque a prefeitura tomou o campo e não cedeu nenhum espaço para podermos jogar. Tivemos que alugar campos de futebol particular e arcar com os custos.

TE – Qual o teu objetivo, teu sonho no beisebol?
Nadine – Meu objetivo sempre foi provar que eu poderia jogar beisebol,como qualquer um. Nunca almejei me profissionalizar nem nada, mas espero que jogando posso abrir espaço para outras meninas jogarem e no futuro poder ter uma seleção feminina no Brasil de beisebol.

TE – O que tu dirias para as gurias que querem jogar beisebol?
Nadine – Eu diria que nunca deixe ninguém te dizer o que você pode ou não fazer. Se você quer jogar beisebol, jogue. Está com medo do que vão falar? Vai lá e jogue com mais vontade e prove que você sabe jogar e que é capaz. A vida é muita curta, devemos sempre fazer o que queremos e nos dedicar ao máximo aos nossos objetivos.

 

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Texto e entrevista: Nathália Ely/Travinha Esportes
Foto: Arquivo pessoal/Nadine Campos

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