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Capítulo 3: A Televisão e a Evolução do Jornalismo Esportivo

Capítulo 3: A Televisão e a Evolução do Jornalismo Esportivo
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Neste conteúdo autoral que o Travinha Esportes traz até você, abordamos a história do jornalismo esportivo desde os primórdios até os dias atuais e a sua relação com as mais variadas tecnologias. O texto abaixo é parte da monografia apresentada pelo diretor do site, Marcus Von Groll, na conclusão do Curso de Jornalismo, na Universidade do Vale do Rio dos Sinos, em São Leopoldo/RS, no ano de 2013. Esperamos que você curta esse conteúdo completo sobre a história do jornalismo esportivo que Marcus Von Groll decidiu dividir com vocês.

O JORNALISMO ESPORTIVO E A TELEVISÃO

Conforme Ribeiro (2007), até a metade do século passado o rádio era o principal veículo de comunicação. No entanto, a partir desse momento, o veículo passou a ter um concorrente que, de forma tímida, nascia no Brasil: a televisão.

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Assis Chateaubriand

No dia 18 de setembro de 1950, o presidente dos Diários Associados, Assis Chateaubriand, colocava no ar a TV Tupi, canal 3, de São Paulo. De acordo com Ribeiro (2007), no começo as instalações e os recursos técnicos eram precários, assim como no rádio, quando surgiu no Brasil.

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Estádio do Pacaembu, em 1950

Mesmo na base do improviso, Ribeiro (2007) afirma que, desde o começo, o jornalismo esportivo teve espaço no novo veículo a partir do programa Vídeo Esportivo. Em outubro do mesmo ano, foi transmitido pela primeira vez, no Brasil, um evento esportivo. Foi a partida entre Palmeiras e São Paulo, no estádio do Pacaembu. Conforme Ribeiro (2007, p. 135), “duzentos privilegiados, no máximo, conseguiram acompanhar depois, em casa, as primeiras imagens de uma partida de futebol transmitida pela televisão”. A explicação para o pequeno número de pessoas que assistiram essas imagens, segundo o autor, é muito simples: os poucos aparelhos de TV que existiam na época custavam uma fortuna e apenas aqueles que tinham condições financeiras conseguiam adquirir um equipamento destes.

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Jornal o Estado de São Paulo com a notícia da inauguração da TV Record, em 1953

De modo tímido, algumas emissoras de televisão começaram a surgir. Em 1953, entrou no ar a TV Record, de São Paulo. Em 1955, no Rio de Janeiro, surgia a TV Rio, exibida pelo canal 13.

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Revista do Esporte, de Anselmo Domingos

Ribeiro (2007) aponta que, um ano antes, no jornalismo impresso, o jornal carioca Última Hora estampou, na sua página principal, a primeira foto colorida da história da imprensa esportiva brasileira, com o time do Fluminense, campeão regional de 1952. Dois anos mais tarde, em 1954, o jornalista José Dias criou a primeira agência de notícias esportivas do país, a Sport Press. Já em 1958, depois da conquista do Brasil de Pelé e Garrincha na Copa do Mundo da Suécia, os jornais brasileiros incluíram o caderno de esportes. O primeiro a realizar essa façanha foi o Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro. Já o jornalista Anselmo Domingos lançou a Revista do Esporte, com o foco de fazer matérias com perfis e vida pessoal dos jogadores brasileiros. De acordo com Ribeiro (2007, p. 177), “durante toda a década de 1960, quem não a lesse estava por fora do que acontecia nos bastidores do futebol”.

A EVOLUÇÃO DO JORNALISMO ESPORTIVO

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Transmissão dos Jogos Olímpicos de 1948, em Londres

Conforme foi abordado anteriormente, de acordo com Tubino, M., Garrido e Tubino, F. (2007), em 1948, os Jogos Olímpicos de Londres foram transmitidos na íntegra na televisão pela primeira vez. Contudo, os brasileiros, segundo Ribeiro (2007), tiveram esse privilégio nos jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo do Chile, em 1962. As transmissões, na época, ainda não eram ao vivo. Ribeiro (2007, p. 187) conta que: “Pode parecer muito, mas pela primeira vez o torcedor brasileiro, que antes só via lances dos jogos nos cinejornais uma semana depois, começava a ver partida inteira, em videoteipe”. Ainda de acordo com o autor, a façanha só pode ser realizada devido a uma parceria entre a Record e a Tupi, as duas maiores emissoras da época, com o apoio técnico da Televisa, emissora de televisão do México.

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A TV Globo foi fundada em 26 de abril de 1965, no Canal 4

Com o golpe militar de 1964, Ribeiro (2007) ressalta que a imprensa esportiva brasileira passou por uma de suas piores crises e, consequentemente, houve a quebra de diversos veículos de comunicação entre rádios, jornais e televisões, além de perseguições a jornalistas. Mesmo diante da turbulência, alguns veículos seguiram adiante. Além disso, Ribeiro (2007) relata que, em 1965, surgiu, no Rio de Janeiro, a TV Globo, do empresário Roberto Marinho. Em 1967, nasceu, em São Paulo, a TV Bandeirantes. Na época, foram criados, pelos canais de televisão, programas esportivos de Mesa Redonda que reuniam, além de jornalistas, jogadores e dirigentes de clubes para um debate.

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Primeira edição do Jornal de Tarde, em 1966

Em 1966, surgiu, em São Paulo, o Jornal da Tarde, que tinha como objetivo informar muito, porém com uma maior leveza editorial. Ribeiro (2007, p. 197) diz que:

[…] tinha como missão romper completamente com a linha editorial praticada em décadas anteriores pela maioria dos jornais esportivos do Brasil. A primeira mudança era acabar definitivamente com o duplo emprego.

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Jornal da Tarde

Conforme Coelho (2011), o Jornal da Tarde foi uma das mais importantes experiências de grandes reportagens do jornalismo brasileiro. “O Jornal da Tarde também mudou o foco de alguns profissionais, que passaram a tratar do escândalo, da administração, do futebol jogado pelos cartolas fora de campo” (COELHO, 2011, p. 10).

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Primeira edição da Revista Placar, em 1969

Em 1969, em São Paulo, surgia a Revista Placar, da Editora Abril, especializada em futebol. Na sua primeira edição, tendo Pelé como capa, as vendas foram um sucesso. Ribeiro (2007, p. 208) relata que:

Logo na primeira edição, Placar contrariou as previsões pessimistas dos jornalistas esportivos que achavam que o Brasil não tinha condições de produzir e manter uma revista especializada em futebol. Vendeu mais de 500 mil exemplares com a efígie de Pelé cunhada em uma bolacha de latão dourada aplicada à capa da revista número um.

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Transmissão da Semifinal entre Brasil X Uruguai

O jornalismo esportivo brasileiro começou a década de 1970 com uma novidade. De acordo com Ribeiro (2007), pela primeira vez no mundo e no nosso país, a Copa do Mundo era transmitida ao vivo pela televisão. Cerca de 700 milhões de pessoas assistiram ao maior evento de futebol do mundo. No Brasil, isso só foi possível graças à participação de Walter Clark, diretor da TV Globo na época.

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Anúncio da transmissão do jogo entre Brasil X Romênia, Copa do Mundo 1970

Os direitos de transmissão no Brasil não foram exclusivos. Pela primeira vez, seria formado um pool de emissoras de rádio e televisão, e isso pelo fato de não haver linhas de transmissão suficientes para todas as emissoras envolvidas (RIBEIRO, 2007, p. 210).

Com isso, de acordo com Ribeiro (2007), as três emissoras (TV Globo, Record e Tupi) dividiram as transmissões em três equipes e cada uma teve direito a 22,5 minutos em cada jogo. No rádio, Bandeirantes, Pan e Nacional de São Paulo foram as responsáveis pela transmissão e o critério foi o mesmo.

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Germana Garilli entrevista o lateral Everaldo, do Grêmio, no Pacaembu

A década de 1970 serviu também para grandes ousadias. No rádio, Roberto Montoro, dono da Rádio Mulher, criou a primeira equipe esportiva 100% formada por mulheres. Conforme Ribeiro (2007, p. 221), “só as mulheres trabalhavam na equipe, dentro e fora das transmissões”. De acordo com o autor, até o transporte que levava a equipe era dirigido por uma mulher. A equipe feminina do rádio permaneceu por mais cinco anos no ar.

http://www.youtube.com/watch?v=taCreFw0320

Em 1972, a televisão transmitiu, pela primeira vez, uma partida de futebol em cores, entre Grêmio e Caxias, na serra gaúcha, durante a Festa da Uva. Tal feito não foi apenas inédito no Brasil, mas em toda a América do Sul. De acordo com Ribeiro (2007), apesar das imagens coloridas, a televisão ainda enfrentava sérios problemas nas transmissões, enquanto na Alemanha, pela primeira vez na história do futebol mundial, era construído um centro de transmissão para rádio e televisão.

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Final Paulistão 1977

Em 1977, Ribeiro (2007) afirma que a disputa entre as televisões e os clubes de futebol para adquirirem o direito de transmissão dos jogos era enorme. “Em São Paulo, as finais do Campeonato Paulista entre Corinthians e Ponte Preta foram negociadas por 4 milhões de Cruzeiros” (RIBEIRO, 2007, p. 246). De acordo com o autor, esse foi apenas um dos vários exemplos do que começava a acontecer nessa época.

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Luciano do Valle na Rede Globo

No início da década de 1980, Ribeiro (2007) observa dois acontecimentos que marcaram o jornalismo esportivo. O primeiro foi a disputa entre as emissoras de televisão pelos direitos de transmissão dos jogos de futebol. Já o segundo foi o fim da primeira emissora de televisão do Brasil, a TV Tupi, que encerrou os seus trabalhos em 1982. No mesmo ano, de acordo com Ribeiro (2007), a TV Globo comprou os direitos de transmissão com exclusividade da Copa do Mundo da Espanha. Contudo, a emissora teve que desembolsar cerca de 14 milhões de dólares, além de levar para a Europa mais de 150 profissionais.

Ribeiro (2007) observa que, na década de 1980, os esportes considerados amadores perdiam cada vez mais espaço nos veículos de comunicação, principalmente na televisão. Com isso, o autor destaca que o locutor número um da Rede Globo, o jornalista Luciano do Valle, deixava a emissora para abrir sua própria empresa. “Luciano surpreendeu a imprensa nacional ao anunciar esse desejo e formar a Promoação, especializada na promoção de esportes olímpicos” (RIBEIRO, 2007, p. 255).

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Luciano do Valle na Rádio Panamericana

Após passar um período de sete meses na TV Record, Luciano do Valle mudou para a TV Bandeirantes, para pode implementar o seu projeto. Pela primeira vez na história da televisão, segundo Ribeiro (2007), a programação voltada completamente para o esporte, que antes era realizada somente pela Rádio Panamericana, passou a rodar na televisão, com um dia inteiro de transmissões de eventos esportivos.

Estava criado o Show do Esporte, uma verdadeira maratona esportiva comandada por Luciano do Valle, que a partir daquele instante passou a ser, além de narrador, um grande incentivador de esportes como vôlei, basquete e atletismo. Com essa nova cobertura, além do tradicional futebol, a TV Bandeirantes criou um novo slogan, passando a ser tratada como o Canal do Esporte (RIBEIRO, 2007, p. 256).

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Adilson Maguila VS Evander Holyfield

Segundo Vieira e Freitas (2007), Luciano do Valle ajudou na divulgação do boxe, transmitindo pela TV Bandeirantes as lutas de Adilson Maguila. Porém, após as duas derrotas para os pugilistas norte-americanos Evander Holyfield e George Foreman, Maguila nunca mais foi o mesmo. Seu rendimento nas lutas era cada vez pior e, como consequência, o pugilista brasileiro empilhava derrotas. Dessa forma, suas lutas deixaram de ser transmitidas e o boxe perdeu espaço na TV até o surgimento de Acelino Freitas, o “Popó”, na década de 1990.

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Ribeiro (2007) ressalta que, além de Luciano do Vale decidir abrir o seu próprio negócio, dois ex-funcionários da Rede Globo, J. Hawilla e Ciro José seguiram o mesmo caminho e criaram a empresa de marketing esportivo Traffic. “O primeiro grande contrato da parceria foi assinado com a TV Record. A empresa era responsável pelo departamento de esporte e pela comercialização dos principais eventos da emissora” (RIBEIRO, 2007, p. 256).

Ainda de acordo com o autor, o surgimento das empresas Traffic e Promoação fez com que o marketing passasse a atuar diretamente nas transmissões esportivas.

A primeira grande campanha dessa nova fase aconteceu no futebol, com a promoção organizada pela TV Record com a fabricante de pilha Rayovac, conhecida como “as amarelinhas”. Nos estádios só se viam torcedores usando camisetas promocionais do produto (RIBEIRO, 2007, p. 256).

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A década de 1990, segundo Ribeiro (2007), começou com uma nova opção aos telespectadores brasileiros: a TV por assinatura. Em 1991, a TV Globo e a TVA, do Grupo Abril, entravam no ar com os primeiros canais por assinatura. Ribeiro (2007, p. 69) afirma que: “Na concorrência, o grupo Globo saiu claramente na frente por um único detalhe: know-how. Cada funcionário do grupo tinha no currículo a experiência global que datava de 1965.”

Ribeiro (2007) destaca que, em 1992, o lançamento do canal Sportv, da TV Globo, marcou como o primeiro canal de esportes por assinatura do Brasil. Um ano mais tarde, a TVA criava o seu canal de esportes, com o nome TVA Esportes. Começava aí a disputa pelos direitos de transmissão dos jogos de futebol. Segundo Ribeiro (2007), a TVA assinou com o Clube dos Treze – entidade que era formada pelos principais clubes de futebol do Brasil – o direito de transmissão por três anos, enquanto a Globo assinou com a CBF, entidade que organizava o campeonato. O resultado disso acabou gerando uma briga judicial entre as duas empresas. A TVA passou a se chamar ESPN Brasil, e o novo canal, para poder transmitir os principais jogos do Campeonato Brasileiro, só podia por meio de liminares da justiça. Conforme Coelho (2011, p. 70), “a empresa do grupo Globo ficou com o direito de transmitir os principais jogos das rodadas dos campeonatos brasileiros. Para a ESPN ficaram os jogos dos times de menor expressão”.

Sem jogos importantes para transmitir, a ESPN acabou se retirando das transmissões de jogos do Campeonato Brasileiro. Ribeiro (2007) observa que, apesar disso, a emissora montou uma estrutura diferenciada e passou a transmitir eventos de outras modalidades esportivas em seu canal.

Se em décadas passadas todos duvidavam que uma programação esportiva no rádio pudesse fazer sucesso, agora o Brasil passava a ter não um, mas dois canais específicos de esportes na TV a cabo, mais o conteúdo gerado pelas emissoras de canal aberto (RIBEIRO, 2007, p. 279).

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Galvão Bueno e Pelé na transmissão da Rede Globo da Copa do Mundo de 1994

A partir de 1994, de acordo com Ribeiro (2007), a TV Globo investia, cada vez mais, em tecnologia nas transmissões do futebol. Na Copa do Mundo dos Estados Unidos, por exemplo, a emissora levou para a terra do Tio Sam quatro câmeras exclusivas e estreou um novo recurso nas suas transmissões, conhecido como super slow motion. A tecnologia não era vista somente em transmissões esportivas. Nas redações de jornais e revistas, a velha máquina de escrever era substituída pelos notebooks, assim como o telex e o fax foram superados pelo recurso do envio de e-mails, com a chegada da internet.

TEXTO

MARCUS VON GROLL (2013) – MONOGRAFIA CONCLUSÃO DE CURSO EM BACHAREL EM JORNALISMO DA UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS (UNISINOS)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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