Capítulo 2: O Jornalismo Esportivo e o Rádio

Capítulo 2: O Jornalismo Esportivo e o Rádio
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Neste conteúdo autoral que o Travinha Esportes traz até você, abordamos a história do jornalismo esportivo desde os primórdios até os dias atuais e a sua relação com as mais variadas tecnologias. O texto abaixo é parte da monografia apresentada pelo diretor do site, Marcus Von Groll, na conclusão do Curso de Jornalismo, na Universidade do Vale do Rio dos Sinos, em São Leopoldo/RS, no ano de 2013. Esperamos que você curta esse conteúdo completo sobre a história do jornalismo esportivo que Marcus Von Groll decidiu dividir com vocês.

O JORNALISMO ESPORTIVO E O RÁDIO

A década de 1920 é destacada por Ribeiro (2007) como um marco na história da imprensa esportiva brasileira. Além dos jornais que começavam a dar espaço para o esporte, em especial, ao futebol, surgia, no Brasil, o rádio. Assim como o veículo impresso, o rádio não demorou muito para começar a narrar partidas de futebol, mesmo que de maneira amadora e com poucos recursos.

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No dia 15 de outubro de 1922, como aponta Ribeiro (2007), o rádio brasileiro realizou a sua primeira transmissão ao vivo. Foi na partida entre Brasil e Argentina, pelo Campeonato Sul-Americano, no Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, na voz de Leopoldo Santana pela rádio Difusora. Não foi uma transmissão com locução completa do jogo. Eram enviados boletins via telefone que eram repassados para os ouvintes pelos alto falantes.
A cidade de São Paulo não ficou para trás. Conforme Ribeiro (2007), em 1923, surgia a Rádio Educadora Paulista. No restante do país, surgiram diversas rádios, contudo, o acesso ao novo veículo era restrito, devido ao alto custo dos aparelhos receptores na época e por serem importados, em sua grande maioria. Além disso, o interesse pelo futebol era cada vez maior; contudo, o acesso às informações dos resultados dos jogos só foi possível indo diretamente até o local ou então pelos jornais do dia seguinte. Foi na base do improviso a maneira encontrada pelo rádio de levar a informação até as pessoas. Ribeiro (2007, p. 62) relata que:

Como o interesse da população era grande, em São Paulo a sorveteria Meia-Noite teve a idéia de instalar alto-falantes enormes para que seus frequentadores pudessem acompanhar notícias enviadas por telefone sobre a conquista do primeiro tricampeonato do Corinthians, em 1924.

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Além do surgimento do rádio na década de 1920, Ribeiro (2007) relata que, em 1924, Assis Chateaubriand comprou O Jornal, do Rio de Janeiro, e, apesar de não gostar de futebol, dava destaque ao esporte porque era notícia. Chatô, como era chamado, comprou, em 1925, o jornal Diário da Noite, de São Paulo. No mesmo ano, Roberto Marinho, futuro dono da Rede Globo de Comunicação, assumiu, aos 21 anos, o jornal O Globo.

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Em 1931, Coelho (2011) destaca o surgimento do Jornal dos Sports, no Rio de Janeiro, do jornalista Mário Filho (foto acima), que viria a se tornar o primeiro diário do país exclusivamente dedicado aos esportes. No mesmo ano, de acordo com Ribeiro (2007), a Rádio Educadora Paulista transmitiu, pela primeira vez no Brasil, uma partida de futebol ao vivo e na íntegra no jogo entre São Paulo e Paraná, válido pelo Campeonato Brasileiro. Ribeiro (2007) ainda aponta para uma pesquisa realizada no mesmo ano, a qual mostrava que o jornalismo esportivo era o que mais tinha crescido. “De 1912 até aquele ano, os jornais especializados em esportes saltaram de 5 para 58, ou seja, um aumento de 1060%” (RIBEIRO, 2007, p. 73).

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A década de 1930, conforme Ribeiro (2007) foi a pioneira em muitos acontecimentos marcantes para o jornalismo esportivo do rádio e veículos impressos. Em São Paulo, a Rádio Record realizou pela primeira vez o plantão esportivo, batizado de Esporte nas Antenas. A emissora também foi a primeira a transmitir e narrar resultados de esportes como o turfe, basquete e boxe, além de partidas de futebol em cadeia com rádios do interior do estado paulista.

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Ribeiro (2007) também destaca a inclusão dos comentaristas nas jornadas esportivas do rádio. Em 1938, no Rio de Janeiro, surgiu a primeira revista especializada de futebol do país: a Sport Ilustrado. No mesmo ano, pela primeira vez a imprensa esportiva brasileira realizava, na França, a cobertura de uma Copa do Mundo.
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A década de 1940 ficou marcada, segundo Ribeiro (2007), pelo surgimento das grandes estrelas da imprensa esportiva. Além disso, no Rio de Janeiro, no dia 2 de dezembro de 1944, nascia a Rádio Globo. Já a Rádio Panamericana, de São Paulo, foi “[…] a primeira do rádio brasileiro a ter um dia inteiro, sete dias por semana, um ano de programação esportiva” (RIBEIRO, 2007, p. 113). Na emissora, eram transmitidas partidas de diversas modalidades como golfe, luta livre, boxe, basquete e vôlei, e todos que trabalhassem na rádio deveriam saber sobre todos os esportes. Nessa época, segundo Ribeiro (2007), o futebol e os demais esportes ganhavam espaço nas principais rádios e jornais do centro do país.

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Em 1947, conforme Ribeiro (2007), A Gazeta Esportiva, de Cásper Líbero, deixou de ser apenas um suplemento do jornal A Gazeta e passou a ser um diário, dando mais espaço para os esportes amadores.

A ousadia estratégica de vendas idealizada por Cásper Líbero, inspirada em Mário Filho, do Jornal dos Sports, com a promoção e organização de eventos esportivos de diversas modalidades, como bocha, malha, botão, várzea entre escolas, travessia do rio Tietê, a tradicional corrida de São Silvestre e a prova ciclística Nove de Julho, aumentou o público e, consequentemente, as vendas do jornal (RIBEIRO, 2007, p. 119).

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Mesmo com o sucesso e por já ser um esporte profissionalizado, desde a década de 1930, Ribeiro (2007) relata que o futebol não era o único esporte tratado pelos profissionais da imprensa esportiva do país. A paixão por outras modalidades e a divulgação do esporte amador era a ambição de muitos donos de jornais e rádios da época. Porém, com o surgimento da televisão, na década de 1950, algumas mudanças alteraram o cenário do esporte e, consequentemente, do jornalismo esportivo brasileiro.

TEXTO

MARCUS VON GROLL (2013) – MONOGRAFIA CONCLUSÃO DE CURSO EM BACHAREL EM JORNALISMO DA UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS (UNISINOS)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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