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História da Natação

História da Natação
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O Início da natação: o corajoso Lord Byron

O surgimento da natação vem desde que o humano é humano, ou seja, a ação de nadar é tão antiga quanto o homem. O movimento de braços e pernas dentro da água já era praticado em comunidades primitivas, em que os homens nadavam para fugir de predadores para garantirem sua sobrevivência e até mesmo por diversão.

De lá para cá, até se tornar um esporte, a natação passou por muitas mudanças assim como o homem.

Na Antiguidade, a natação chegou a ser considerada um pré-requisito fundamental na formação de jovens e dos soldados gregos, ajudando na forma física de toda uma população. Neste tempo, o exercício dentro da água funcionava como um aprimoramento pessoal e não como uma modalidade esportiva.

Por volta do século XVII, a natação passou a ser tratada de outra maneira. Historiadores mostram que a natação foi adotada como matéria obrigatória entre os estudantes japoneses, por determinação do imperador Go-Yousei (1586-1611).

Para nós, ocidentais, a natação só viria a ser levada mais a sério por volta do século XIX, quando o britânico nobre, o Lord Byron, inspirado em uma história mitológica que era de um rapaz que cruzava o canal Dordanelos para ver sua amada e que acabou morrendo num dia em que o mar estava agitado, Byron teve a coragem de atravessar este canal de águas profundas que liga a Europa à Ásia (ver mapa abaixo) e tinha uma distância de 1,5 quilômetros. Ele fez a travessia em aproximadamente uma hora, provando que o trajeto era possível ser atravessado a nado. Tal proeza ficou famosa e foi um marco na época.

Os anos foram se passando e a natação ganhava força como uma modalidade esportiva. Com isso, algumas competições foram organizadas em Londres, na Inglaterra, onde em pleno século XIX já existiam seis piscinas, o que para aquela época era um número bastante significativo.

 

 

 

A história dos estilos da natação

Logo no começo do surgimento do esporte, não se pensava muito e tampouco se falava em regras ou estilo na natação. Alguns esboços ou jeito parecido comparado aos estilos de hoje eram ensaiados. Contudo, antes mesmo da natação se tornar esporte, os estilos já eram ensaiados desde o século XVII, mais precisamente no ano de 1690, quando o francês Thevenot, formalizou tratados e descreveu um estilo muito parecido com o que hoje conhecemos como nado peito.

Logo em seguida, ingleses vieram com mudanças, adotando o nado que incluía a movimentação de um dos braços sobre a água, o corpo colocado em posição lateral e as pernas sendo mexidas como tesoura. Mais tarde este nado foi aperfeiçoado com os dois braços levados juntos para frente. Este estilo era muito parecido com nado borboleta de hoje.

No final do século XVIII, um italiano conhecido como Bernardi, apresentou a primeira forma do nado costas. O movimento incluía primeiramente o movimento dos dois braços lançados juntos em rotação seguidamente. Um pouco mais adiante, os braços passaram a ter alternância nos seus movimentos, ficando muito parecido com o nado costas de hoje.

No nado “crawl”, que em português significa rastejar, foi apresentado pelo descendente de australianos, Richard Cavill. Ele era um grande nadador e seguia os passos de seu pai e irmão que praticavam um estilo bastante parecido com o atual, porém, era o movimento alternado e ligeiro das pernas, no sentido vertical em relação à superfície da água, associado com braçadas alternadas de um lado a outro e o rosto ficava submerso. Este estilo era todo inspirado dos aborígines, os nativos da Austrália.

Com o sucesso deste nado, treinadores norte-americanos ajudaram a aperfeiçoar a modalidade, especialmente no quesito respiração. Num primeiro momento, a cabeça era erguida na água para a frente e, logo depois, chegando a rotação lateral da cabeça, na forma do crawl, ou nado livre, que se conhece hoje.

 

 

 

A natação se torna uma modalidade esportiva

Com os estilos já definidos as competições de natação começaram a acontecer com maior frequência. Em 1858, aconteceu na Austrália a primeira disputa oficial de natação. Dez anos mais tarde, a Inglaterra promovia um campeonato nacional, seguida pelos Estados Unidos.

Não demorou muito e a natação por já ser bastante praticada e conhecida, entrou na edição dos Jogos de Atenas, na Grécia, em 1896, a primeira Olimpíada da Era Moderna. Três tipos de provas foram disputadas naquela ocasião: 100 metros livre, 500 metros livre e 1.200 metros livre. Nestes jogos, a competição era realizada no mar, ou seja, colocava em risco a vida dos participantes.

Nos Jogos seguintes, com a inclusão da piscina e de novas provas, o número de atletas aumentou significativamente. Até 1912, nos Jogos Olímpicos de Estocolmo, na Suécia, a piscina era usada somente pelos homens, pois nesta Olimpíada as mulheres estreavam na modalidade. A primeira grande campeã de uma prova olímpica na natação foi a australiana Sarah “Funny” Durack.

Nestes mesmos Jogos Olímpicos, em 1912, o mundo conhecia o havaiano Duke Kahanamoku (foto abaixo). Foi na época um verdadeiro fenômeno do nada crawl e com uma enorme popularidade nas arenas de competição.

Em 1920, nos Jogos Olímpicos de Antuérpia, na Bélgica (foto abaixo), após a Primeira Guerra Mundial, o havaiano Duke estava lá e estabeleceu o novo recorde mundial nos 100 metros nado livre. Conhecido por um estilo de grande estrela, foi levado a Hollywood, onde apareceu em vários filmes, fez comerciais e também foi um dos grandes precursores na divulgação do surf pelo mundo todo, já que ele era um praticante nato deste esporte.

Em 1924, nos Jogos de Paris, na França, surgia o atleta dos Estados Unidos chamado, Johnny Weissmuller (foto abaixo). Ele já era notícia antes de entrar nos jogos por ser o primeiro homem a nadar os 100 metros livres abaixo de 1 minuto (57,4 segundos, batendo o recorde mundial). Este recorde permaneceu pelos próximos 10 anos. Johnny Weissmuller, do seu sucesso nas piscinas, alcançou as telas do cinema. Foi ele quem fez o filme do Tarzan, o homem macaco, em 1932.

Nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, nos Estados Unidos, em 1932, surgiram outros nomes da natação como os de Adolf Kiefer (EUA) e Arne Borg (Suécia, foto abaixo).

Em 1936, nos Jogos de Berlim, na Alemanha, japoneses e norte-americanos dividiram as glórias do pódio, e as competições entre as mulheres haviam sido emocionantes.

Com a Segunda Guerra Mundial, as Olimpíadas sofrerem um intervalo de 12 anos, por conta da guerra, porém em 1948, quando os Jogos retornavam em Londres (foto acima), na Inglaterra, os norte-americanos retomavam a sua hegemonia nas raias.

Nos anos de 1950, os australianos dominaram boa parte, porém, com o atleta dos Estados Unidos, Don Schollander (foto acima), os norte-americanos retomavam o topo de melhores do mundo. Tanto que em 1964, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão, Schollander seria o primeiro atleta a conquistar quatro medalhas de ouro numa mesma edição dos jogos.

Anos mais tarde, surgiria o atleta que até então só seria superado em 2008 em números de medalhas de ouro conquistadas por Michael Phelps em Olimpíadas. Mark Spitz (foto acima), que nos Jogos Olímpicos de 1968 havia decepcionado, nos Jogos de Munique, na Alemanha, em 1972, ele alcançava a marca de sete medalhas de ouro conquistadas em uma mesma edição olímpica. Michael Phelps, como citei acima, nos Jogos Olímpicos de Pequim, na China, em 2008, bateu esta marca conquistando oito medalhas de ouro e até o momento é considerado o maior nadador de todos os tempos.

Um pouco antes de Michael Phelps (foto acima), nomes como do russo Alexander Popov (foto abaixo) e do australiano Ian Thorp eram considerados os maiores nomes das águas que haviam surgido na década de 1990 e no início do ano 2000.

 

Nos anos seguintes, aconteceu de tudo um pouco no mundo da natação, desde boicotes por motivações políticas até as descobertas tecnológicas para o aperfeiçoamento do esporte como a medicina e os maiôs que os nadadores usavam, fizeram com que o atrito entre nadador e água diminuísse bastante o tempo e aumentassem a cada edição dos Mundiais e das Olimpíadas às quebras de recordes. Atualmente, os modernos maios estão proibidos pela Federação Internacional e os nadadores voltaram como antigamente usando apenas sunga, toca e óculos.

 

 

 

A chegada da natação ao Brasil

Curiosamente, tanto como a origem da natação como aqui no Brasil, não houve uma pessoa em específico que criou a modalidade ou tenha introduzido ela, como é o caso aqui no Brasil.

Em nosso país, a natação se tornou esporte apenas em 1898, quando o Clube de Natação do Rio de Janeiro, realizou o primeiro Campeonato Brasileiro da modalidade. A prova realizada nesta competição foi a travessia de 1.500 metros entre Fortaleza de Villegaignon e a praia de Santa Luzia. O sucesso da competição foi tanto que duraria até 1912.

Um pouco antes de ser realizado o primeiro Campeonato Brasileiro, cabe ressaltar que quem promoveu esta competição foi a Federação Brasileira das Sociedades de Remo, em 1897. Esta entidade surgiu da parceria firmada entre clubes de remo do Rio de Janeiro que passou a incentivar a natação entre os remadores.

Após 1912, a Federação organizou uma competição maior na enseada de Botafogo, no Rio de Janeiro, aberto para participantes das provas de 1.500 metros livre, 100 metros (estreantes), 600 metros para seniores e 200 metros para juniores. A competição que era a mais difícil e também a mais aguardada pelos espectadores, consagrou o nadador Abraão Salure. Foi ele o responsável por colocar o Brasil em uma posição de destaque nas suas participações em competições internacionais na América do Sul.

FOTO BRASIL 3 (Equipe brasileira juvenil no Sul-americano de 1969) – OK

Em se tratando de competições sul-americanas, a primeira competição neste âmbito aconteceu no Rio de Janeiro, em 1919, um ano antes do Brasil fazer a sua estréia nos Jogos Olímpicos.

 

 

 

1930: a década que iniciou a revelação de grandes talentos

A partir de 1932, a natação brasileira começava a revelar novos talentos que começaram a figurar entre os classificados ou até mesmo entre os finalistas das Olimpíadas. Nadadores como Isaac Morais, Manuel Vilar, Benevuto Nunes e Manoel Silva, que conseguiram chegar em sétimo lugar no revezamento 4×200 metros livre nos Jogos Olímpicos de Lon Angeles.

Apesar destes nadadores terem surgido, nada se comparava a uma mulher, que até hoje é considerada a maior nadadora brasileira de todos os tempos. Maria Lenk, filha de alemães, começou a treinar natação no rio Tietê, é claro, na época em que o rio não era a poluição de hoje. Ela foi a primeira mulher sul-americana a participar de uma edição dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, nos Estados Unidos em 1932. Influenciada pela técnica criada pelo nadador e treinador norte-americano, John Higgiins e por revistas alemãs especializadas, Maria Link tinha um estilo diferente de nadar.

Em 1932, nos Jogos Olímpicos, Maria conseguiu chegar até as semifinais dos 200 metros nado peito. Já nos Jogos Olímpicos de Berlim, na Alemanha, em 1936, Maria Lenk não brigou por medalhas, mas encantou a todos com um novo estilo de nadar peito. A movimentação dos braços por fora da água viria mais tarde a se tornar como o estilo borboleta. O nado borboleta, antes, era realizado junto com o nado peito, porém, em 1950, a Federação Internacional de Natação (FINA), determinou provas específicas para cada modalidade.

Retornado a Maria Lenk, considerada uma lenda da natação feminina, ela foi recordista mundial dos 400 metros nado peito. Infelizmente, no ano de 2007, aos 92 anos, Maria Lenk faleceu por uma parada cardiorrespiratória fazendo o que mais gostava na vida: natação.

Após o surgimento de Maria Lenk, em 1930, alguns anos se passaram e a natação brasileira revelou muitos outros talentos. Nomes como Tetsuo Okamoto (foto acima), medalha de bronze nos 1.500 metros, nos Jogos Olímpicos de Helsinque, na Finlândia, em 1952 e Manuel dos Santos (foto abaixo), que nos Jogos de Roma, na Itália, em 1960, conseguiu também uma medalha de bronze,porém, na prova dos 100 metros livre. Ele também seria o recordista mundial nesta mesma modalidade em 1961, quando cravou o tempo de 53,6 segundos, marca esta que só seria superada três anos mais tarde.

Em 1968, José Sylvio Fiolo, bateu o recorde mundial nos 100 metros nado peito e conquistou duas medalhas de ouro e cinco de bronze em jogos Pan-americanos.

 

 

 

A nova geração da natação brasileira

A nova geração de natação do Brasil começou na década de 1970 com os nadadores Jorge Fernandes e Djan Madruga. Juntos, os dois conquistaram 18 medalhas em Pan-americanas, sendo 11 conquistadas por Madruga e sete por Fernandes. Além destas medalhas, eles também garantiram ao lado de Marcus Mattioli e Cyro Delgado, a terceira medalha do Brasil em Olimpíadas, um bronze nos Jogos de Moscou, na Rússia, em 1980.

Foi nesta década que aparecia no cenário da natação, Ricardo Prado (foto acima). Ele conquistou uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, nos Estados Unidos, em 1984, nos 400 metros medley, prova da qual ele era o recordista mundial na época. Também conquistou sete medalhas em Pans, sendo duas delas ouro. Depois de Ricardo Prado, surgiam dois nadadores que acostumaram mal o povo brasileiro com inúmeras conquistas na natação. Gustavo Borges e Fernando Scherer, o “Xuxa”, que conseguiram excelentes resultados nas principais competições internacionais, tanto nos Jogos Olímpicos quanto nos Pan-americanos.

Gustavo Borges é até então o maior medalhista do país em Pans. No total, ele conquistou 19 medalhas. Em Olimpíadas, Borges conquistou duas pratas e dois bronzes. Apesar de não ter conquistado nenhum ouro, ele é quem tem mais medalhar olímpicas até hoje na natação brasileira. Encerrou sua carreira em 2004.

Não muito diferente dele, Fernando Scherer conquistou nove medalhas em Pans e dois bronze em Olimpíadas. Scherer é o maior medalhista de ouro brasileiro em Jogos Pan-americanos conquista quatro em Winnipeg, no Canadá, em 1999.

Já em 2008, surgia um fenômeno nas piscinas que surpreendeu a todos nas Olimpíadas de Pequim, na China. Após ter surpreendido com um bronze nos 100 metros nado livre, César Cielo, conquistava a medalha de ouro olímpica na prova mais rápida da natação mundial, os 50 metros livre.

Em 2009, César Cielo não parou por aí. No mundial de natação, disputado em Roma na Itália, ele conquistou o título nos 50 e nos 100 metros livres, sendo que nesta última, a dos 100 metros, bateu o recorde mundial com o tempo de 46,91 segundos. Quem pensa que César iria parar por aí, se enganou. No final do mesmo ano, no Campeonato Brasileiro Sênior de Natação, César Cielo conseguia bater o recorde mundial dos 50 metros livre com o tempo de 20,91 segundos.

Assim é contada um pouco da história e da evolução da natação brasileira. De Maria Lenk a César Cielo, o Brasil hoje é um dos principais países do mundo na natação.

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
– LIVRO: Almanaque dos Esportes, Editora Europa, 2009.
– LIVRO: A História dos Esportes, Orlando Duarte, 4ª ed. Editora Senac, SP, 2004.
– LIVRO: O Guia dos Curiosos: esportes 3ª ed. Marcelo Duarte, Editora Panda Books.
– LIVRO: Fique por Dentro – Esportes Olímpicos, Benedito Turco. – Rio de Janeiro. Casa da Palavra: COB, 2006.
– LIVRO: O que é Natação, Silva Silveira, Armando Freitas. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra: COB, 2006.
– SITE: Confederação Brasileira de Natação – http://www.cbda.org.br/
– SITE: Federação Internacional de Natação – http://www.fina.org/
– SITE: Federação Gaúcha de Natação – http://www.fgda.com.br/
– SITE: Federação Paulista de Natação – http://www.aquaticapaulista.org.br/
– SITE: Federação Aquática do Rio de Janeiro – http://www.aquatica.org.br/
– SITE: USA Swimming Official – http://www.usswim.org/

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