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História do Hipismo

História do Hipismo
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Um galope pela história

Segundo o dicionário brasileiro Houaiss, a palavra galope significa o passo mais rápido dos cavalos, caracterizado por uma sequência de saltos em três tempos. É exatamente isso que iremos fazer agora, dar um passeio a galope contando o surgimento deste esporte que mostra uma relação perfeita entre o homem e o cavalo, um dos animais que mais andou e anda até hoje ao lado e a serviço do ser humano.

Historiadores contam que foram os povos asiáticos, entre os períodos de 3,5 a 4 mil anos antes de Cristo, os primeiros a terem contato e fazer o uso regular do cavalo, tanto para a locomoção como para serviços de plantio nos campos e para o uso da caça.

 

Com a evolução das sociedades, o cavalo começou a passar por processos de adestramento e tornou-se peça fundamental para garantir o bom trabalho do homem. Além disso, os cavalos começaram a ser usados em forças militares para conquistas de novos territórios e guerras.

Torneios começaram a ser realizados com a utilização de cavalos, com isso, estes animais entravam na cena esportiva e garantiram seu lugar neste meio.

Nos Jogos Olímpicos da Antiguidade, por volta do ano de 648 a.C., provas com cavalos eram realizadas, como a corrida de bigas, em que os cavalos puxavam uma pequena charrete.

Um historiador, filósofo, e militar grego chamado, Xenofonte (foto acima), escreveu tratados sobre equitação que são tidos como um marco da história. Apaixonado por qualquer tipo de atividade que envolvia cavalos, foi visto como um visionário para aquela época ao deixar escrito sobre a arte da montaria, a doma de cavalos e a vocação exigida para o cavaleiro.

Com o fim dos Jogos da Antiguidade, por motivos políticos promovidos por Teodósio I, quando decidiu acabar com este evento por achar que se tratava de uma festa pagã, a equitação, do contrário do que se possa imaginar, não perdeu toda sua força. Como esporte é claro, deixou de ser menos praticado, mas tanto os gregos como seus povos vizinhos, adotaram o cavalo para práticas militares.

Do século XV ao início do século XVIII, os europeus começaram a se interessar pelo hipismo como uma arte, utilizando-se principalmente em provas de saltos.

 

Os britânicos, que até então, naquela época, utilizavam os cavalos para a caça, em um período de baixa para esta prática, se reuniram e organizavam para a prática de saltos, o que segundo historiadores, dão os primeiros indícios do que mais tarde se tornaria hipismo.

Assim como os britânicos, tanto os militares alemães quanto os italianos também tomaram gosto da modalidade e, com isso, não demorou muito para que o esporte caísse nas graças dos apaixonados por cavalos e pelo esporte.

 

O hipismo entra no mundo olímpico

Com o hipismo sendo praticado em vários países da Europa, em especial pelos militares, o esporte entrava no segundo Jogos Olímpicos da Era Moderna, em Paris, na França, em 1900. Nesta olimpíada houve apenas a realização de três provas.

Já nos Jogos de 1904, em Saint Louis, nos Estados Unidos, e em 1908, em Londres na Inglaterra, o hipismo esteve ausente e retornaria somente nos Jogos Olímpicos de Estocolmo, na Suécia, em 1912 (foto acima).

Em 1921, era criada a Federação Equestre Internacional (FEI) (foto acima), através de dez delegados de dez federações. Esta é a entidade máxima responsável até hoje pelo hipismo no mundo.

Por mais de quarenta anos, apenas os homens eram praticantes deste esporte. Contudo em 1952, nos Jogos Olímpicos de Helsinque, na Finlândia, as mulheres eram admitidas em torneios da modalidade.

Como no hipismo, o homem usa-se de um animal para realizar as provas, esta modalidade esportiva tem uma peculiaridade em relação à outros esportes. Ele é o único em que homens e mulheres competem em igualdade de condições, em uma mesma prova.

Cabe ressaltar a importância dos militares na divulgação do esporte para todo o mundo. Graças a eles que estruturas de algumas das mais importantes escolas do mundo de equitação, como a de Saumur, na França. Estes oficiais de várias patentes militares foram os principais parceiros dos civis na organização das atividades desses centros de formações que receberam pessoas de todo o mundo, inclusive os brasileiros.

 

 

 

O hipismo no Brasil

Quem imagina que o hipismo surgiu há pouco tempo aqui pelo Brasil está…? Enganado! O hipismo é muito mais antigo do que se possa imaginar. Com a chegada dos portugueses em 1500, no descobrimento do Brasil, ao contrário dos índios que sequer imaginam usar cavalos, os homens da “terrinha” ao pisarem aqui, e por já usarem os cavalos na Europa, sabiam que seria muito útil ter este tipo animal para ajudar na construção e exploração das terras brasileiras.

A região Sul do Brasil foi a que primeiramente se tornou um pólo equino do país, porém, não foi lá que o esporte começou a surgir.

 

O hipismo apareceria pela primeira vez no Brasil, quando o príncipe holandês, Maurício de Nassau (Foto acima), em 1641, organizou um torneio do qual participaram holandeses, franceses, alemães, ingleses, portugueses e brasileiros. Esta prova entrou para a história conhecida como Torneio de Cavalaria e o time formado por portugueses e brasileiros foram os vencedores da competição.

Por volta do século XVIII, após um período de baixa em competições que envolvessem cavalos, graças aos europeus que de tanto praticarem o esporte por aqui, acabaram deixando um rastro e não demorou para que os brasileiros tomassem o gosto pelas cavalgadas. Elas eram muito comuns nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Com isso, o equismo esportivo renascia.

Provas de corridas rasas eram realizadas na praia do Botafogo, onde fazendeiros ricos participavam das competições informais e o imperador Dom Pedro I era um grande apreciador destas competições. Caindo no gosto do povo, as corridas vieram a ser tornar em um esporte oficial no país, por volta do século XIX com a fundação do primeiro clube de corridas do Brasil.

Com um novo regime de governo, já no século XX, mais precisamente, no ano de 1906, o Brasil contou com a presença de uma missão militar francesa no Rio de Janeiro. Com a permanência destes oficiais por um bom período no país, a meta era a de aprimorarem a formação das tropas nacionais. Junto com esta preparação toda, a equitação também ficou mais forte. Uma oportunidade nesta época também havia sido aberta aos civis que, como os militares, puderam também participar destes treinamentos e aprenderem a técnica apurada de equitação que tinham os franceses. A procura foi enorme por parte dos civis e o hipismo passava a não pertencer mais apenas ao uso dos militares.

Em 1911, era fundada em São Paulo, a Sociedade Hípica Paulista, mesmo ano onde no Rio de Janeiro era criado o Clube Sportivo de Equitação, hoje, Centro Hípico do Exército.

Pouco tempo depois, em 1918, após a Primeira Guerra Mundial ter terminado, praticantes brasileiros com alto poder aquisitivo partiram para a França para aprimorarem seus treinamentos em equitação na escola mais tradicional de equitação do mundo, a Saumur. Com formação francesa, os brasileiros a partir de 1920, tanto no estado do Rio de Janeiro quanto em São Paulo, passaram a realizar concursos hípicos, bem regulamentados e com a participação de um bom público. A partir deste momento, o Brasil passou a realizar provas oficiais como em outros países.

 

 

A primeira participação brasileira em competições internacionais

Com o crescimento do esporte no país, a equitação brasileira começava a entrar nas competições internacionais. No Chile, em 1942, uma equipe do exército brasileiro formada por João Franco Pontes (foto acima), Eloy Menezes, Antônio Corrêa, entre outros, estiveram no torneiro realizado na cidade de Viña Del Mar.

O capitão João Franco Pontes, foi o primeiro brasileiro a participar de uma competição internacional na modalidade Adestramento, e conquistou o terceiro lugar em 1942.

Pouco depois, em 1948, nos Jogos Olímpicos de Londres, na Inglaterra, os brasileiros faziam a sua estréia na delegação que foi comandada pelo general Edgar Amaral. Naquela Olimpíada, todos os competidores eram militares.

 

 

 

Tal pai… – A nova era do hipismo brasileiro (parte 1)

No começo da década de 1960, do qual, os militares tinham o domínio no esporte e era raro a participação de civis, teria quebrada esta hegemonia por um rapaz chamado Nelson Pessoa.

Após ter tido a oportunidade de treinar um bom período na Europa, Nelson Pessoa, ou Neco, como é conhecido, passou a fazer parte da equipe brasileira equestre, em 1963. Dono de uma habilidade apurada, Neco, participou naquele ano pela primeira vez de uma competição no exterior, conquistando o Campeonato Internacional de Buenos Aires, na Argentina.

Com participações de destaque nas competições internacionais, Neco era considerado uma lenda do hipismo no Brasil, o que abriu espaços para que outros cavaleiros de talento começassem a surgir, como foram os casos de Antonio Alegria Simões e José Roberto Reynoso Fernandes, que se integravam na equipe junto com Neco, em 1965, na Europa.
Por ter uma técnica apurada e por realizar os saltos com perfeição, Neco logo recebeu o apelido de “El Mago”, pelos profissionais da modalidade.

Em 1967, ele comprovaria o apelido recebido com a conquista da medalha de ouro por equipes, nos Jogos Pan-americanos de Winnipeg, no Canadá. Neco também conquistaria a medalha de prata na competição individual.

Após uma longa carreira como cavaleiro, Nelson Pessoa tornou-se técnico e um grande estudioso do esporte e dos cavalos desde pesquisas ligadas ao comportamento destes animais até a investigação pelas linhas genealógicas dos eqüinos-atletas.

Como treinador, orientou muitas equipes na Europa e no Oriente Médio. Também foi o técnico de equipes brasileiras, como a que participou dos Jogos Olímpicos de Atlanta, nos Estados Unidos, em 1996, da qual conquistaram a medalha de bronze, a primeira medalha olímpica nesta categoria para o Brasil.

 

 

Tal filho! – A nova era do hipismo brasileiro (parte 2)

Tal pai, tal filho! Este é um ditado popular que se encaixa perfeitamente para falar de Rodrigo Pessoa, nada menos que filho de Nelson Pessoa.

Seguindo os passos do pai, Rodrigo Pessoa conseguiu revelar o seu talento vindo de família. Honrou com classe com as conquistas do Tricampeonato Mundial nos anos de 1998, 1999 e 2000 e também foi campeão dos Jogos Eqüestres Mundiais de Roma, em 1998.

Nos Jogos Pan-americanos de Mar del Plata, na Argentina, em 1995, Rodrigo conquistou a medalha de ouro por equipes e no mesmo ano faturou sete vitórias no Derby de Hamburgo, na Alemanha, o tricampeonato do Derby de Hickstead, na Inglaterra, e o tetracampeonato no Brasil.

No âmbito Olímpico, Rodrigo Pessoa faturou duas medalhas de bronze, nos Jogos Olímpicos de Atlanta, nos Estados Unidos, em 1996 e nos Jogos de Sydnei, na Austrália, em 2000. Conquistaria ainda a medalha  de ouro Olímpica, nos Jogos de Atenas, na Grécia, em 2004, após o cavalo do antigo vencedor da prova, o irlandês Cian O’Connor, ter sido pego no exame antidoping.

Além de todos estes prêmios, Rodrigo ainda foi campeão europeu, faturou mais de 150 Grandes Prêmios na Europa e venceu mais de cem vezes as chamadas provas de potência.
Portanto, quando disserem a você que: “Filho de peixe, peixinho é”, acredite, pois este é um caso que comprava esta frase.

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
– LIVRO: Almanaque dos Esportes, Editora Europa, 2009.
– LIVRO: A História dos Esportes, Orlando Duarte, 4ª ed. Editora Senac, SP, 2004.
– LIVRO: Fique por Dentro – Esportes Olímpicos, Benedito Turco. – Rio de Janeiro. Casa da Palavra: COB, 2006.
– LIVRO: O que é hipismo, Silva Silveira, Armando Freitas. – Rio de Janeiro: Casa da Palavra: COB, 2007.
– SITE: Federação Equestre Internacional (FEI) – http://www.fei.org/
– SITE: Confederação Brasileira de Hipismo – http://www.cbh-hipismo.com.br/
– SITE: Federação Paulista de Hipismo – http://www.fph.com.br/

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