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História do Futebol Americano

História do Futebol Americano
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A origem do jogo

Entre as décadas de 1850 e 1860, nos Estados Unidos, jovens estudantes de famílias ricas que viajavam para a Inglaterra, ao regressarem, trouxeram em suas bagagens o futebol e o rugby, esportes que já eram praticados na Europa. Os dois jogos se espalharam rapidamente nos Estados Unidos e eram praticados sem regras específicas até o ano de 1876.

Cansados de jogarem duas modalidades de maneira desorganizada, dois representantes das três universidades norte-americanas mais importantes (Harvard, Princeton e Columbia), se reuniram para padronizar as leis de um jogo. Eis que surge uma nova modalidade.

Esta nova modalidade era muito parecida com o Rugby, porém, com uma diferença peculiar: toda vez em que um atleta estivesse com a posse da bola fosse derrubado, o jogo deveria ser interrompido pelo juiz, ou seja, os dois times poderiam se realinhar, cada um no seu campo de jogo, e reiniciar a partida de forma mais organizada. O nome desta jogada era chamada de down e cada equipe tinha três downs (chances) de avançar pelo menos 5 jardas. No caso da equipe não conseguir atingir esta distância, a bola era entregue à equipe adversária.

Percebendo que não havia mais necessidade desta nova modalidade de jogo ser chamada de rugby football, foi criado o American Football, que traduzindo significa Futebol Americano. O inventor destas regras básicas do down e da distância a percorrer com a bola foi Walter Camp (foto acima), conhecido pelos norte-americanos como o “pai do futebol americano”.

 

 

 

Década de 1900: A “quase” extinção do futebol americano

No início do século XX, o futebol americano não tinha regras específicas. No jogo, os atletas não usavam equipamentos de proteção, não podiam lançar a bola para frente, como é atualmente, e também não havia uma regra que impusesse limites aos jogadores quanto ao modo de derrubar uns aos outros, o que tornava o esporte bastante violento.

No ano de 1905, o jogo quase fui proibido de ser praticado, pois neste ano, mais de 18 universitários morreram em função do futebol americano. Esta notícia chegou aos ouvidos do então presidente da época, Theodore Roosevelt (foto acima), que declarou que se não houvesse mudanças na regra, o futebol americano seria extinto.

A partir deste momento, algumas providências fundamentais foram tomadas. Uma delas foi a introdução do forward pass (passe para frente), que foi uma ideia do treinador John Heisman (foto acima). Já no ano de 1906, era permitido lançar a bola para frente para um companheiro do time que estivesse se deslocando em velocidade.

A nova estratégia citada acima, que fez do quarterback  ter maior importância na equipe, foi criada pelo norueguês Knute Rockne, jogador e treinador que acabou entrando para a história como um gênio deste esporte, não deixando o futebol americano ser extinto.

 

 

 

Década de 1920: O surgimento da NFL

As mudanças nas regras surtiram efeitos e o futebol americano ficou menos violento, mais tático e com os jogadores distribuídos de forma aberta em campo, o que acabou agradando ao público que assistiam aos jogos.

No ano de 1920, com a sua popularização, o futebol americano acabou invadindo e conquistando as universidades dos Estados Unidos. Foi a partir daí que o jogo estava a um passo da profissionalização e, com isso, foi criada a American Professional Football Conference, que dois anos mais tarde, em 1922, foi rebatizada de National Football League (NFL).

 

 

 

Década de 1930: O esporte fica organizado

Após um começo conturbado e cheio de improvisos, como por exemplo, a final do campeonato nacional de 1933, entre as equipes do Chicago Cardinals e o Portsmouth Spartans (atual Detroit Lions) ter sido disputada dentro de uma arena de circo, em Chigado, pela falta de infraestrutura de estádios próprios para a prática do jogo, a casa acabou sendo colocada em ordem.

Com a mudança do regulamento das competições, novas regras e também com o surgimento de grandes clubes, o futebol americano acabou tornando-se um esporte mais dinâmico e emocionante. A mudança drástica partiu quanto ao tamanho e formato da bola, que até então era bastante parecida com a de rugby (grande e com pontas arredondadas). A NFL, a pedido dos quarterbacks, adotou uma bola (foto acima) um pouco menor e mais pontuda, facilitando os lançamentos mais precisos e longos e alterando o estilo de jogar das equipes, como menos corridas, menos chutes e mais passes.

Além destas mudanças, houve também uma outra inovação importante para o equilíbrio das equipes. Foi a criação do draft universitário (principal sistema de aquisição de novos talentos feito pelos clubes) que instituiu regras quanto ao recrutamento de estudantes pelos clubes profissionais. A equipe de pior campanha na temporada anterior teria sempre a prioridade de escolher primeiro o melhor jogador universitário, mantendo assim o equilíbrio entre as equipes nas competições.

Com todas estas mudanças tudo acabou ocorrendo de maneira organizada até o começo da década de 1940 quando a Segunda Guerra Mundial deflagrou, revolucionando mais uma vez o futebol americano.

 

 

 

Década de 1940: Tudo muda com a guerra

Com o início da Segunda Guerra Mundial e o ataque dos japoneses à Pearl Harbor (foto acima), todos os esportes nos Estados Unidos sofreram modificações radicais. Mais de 600 jogadores de futebol americano tiverem que trocar o campo de jogo pelos campos de batalhas. Muitas equipes, por falta de jogadores, acabaram desistindo de participarem das competições.

Após o ano de 1943, a modificação mais significativa na regra do jogo foi a de que, até a Segunda Guerra Mundial, os mesmos 11 jogadores de uma equipe faziam as funções de ataque e defesa ao longo de uma partida. Percebendo que seus atletas estavam debandando para a Guerra, as equipes pediram para que as substituições fossem ilimitadas a qualquer momento do jogo. Sendo assim, cada novo atleta recrutado precisaria treinar apenas uma posição (de ataque ou de defesa) e não mais ambas. Era o início de uma nova fase do futebol americano.

 

 

 

Década de 1950: Os grandes investimentos

A década de 1950 marcou pelo início dos grandes investimentos. Com o crescimento da televisão nos Estados Unidos, milhares de pessoas passaram a acompanhar as partidas de futebol americano.

 

Além disto, os clubes passaram a investir nas suas equipes com o surgimento de grandes treinadores como Paul Brown (foto acima à esquerda), criador do Cleveland Browns, e grandes jogadores que ficaram na história como o quarterback Johnny Unitas (foto acima à direita).

Já no ano de 1958, na final entre Baltimore Colts e New York Giants (foto acima), partida conhecida até hoje como “o maior jogo de todos os tempos”, a audiência na televisão atingiu o recorde, com 45 milhões de telespectadores. Estava consolidado o crescimento do futebol americano, ultrapassando inclusive o beisebol, esporte que até esta época era o mais popular dos norte-americanos.

 

 

 

Década de 1960: Surge uma nova liga

Com o crescimento do futebol americano na década de 1950, muitas equipes profissionais surgiram nas mais diversas cidades dos Estados Unidos. Todas elas queriam fazer parte da NFL, porém, a entidade acabou se recusando em incluir essas novas equipes.

No ano de 1960, as equipes que foram negadas a participarem da NFL, criaram uma nova associação: a American Football League (AFL) (foto acima). Esta foi a única liga rival a ter sucesso na história do futebol americano, e que acabou gerando inovações nas regras, nas táticas e no marketing (como a introdução do nome dos jogadores nas camisetas e vendas de produtos relacionados ao esporte).

No ano de 1966, após muitos conflitos entre a NFL e a AFL, as duas entidades acabaram optando por uma trégua e se unificaram. O primeiro passo foi dado com a criação do Super Bowl, que era uma partida disputada em um campo neutro entre os campeões da NFL e AFL, para determinar quem era o verdadeiro campeão do país.

O segundo passo foi a unificação total dos dez clubes que faziam parte da AFL com os 16 clubes da NFL. Com isso, a unificação despontava com os 26 grandes clubes de futebol americano e, além da disputa do Super Bowl, uma outra competição foi criada, da qual, todas as equipes jogariam entre si (isso já na década de 1970).

 

 

 

Décadas de 1970, 80 e 90: A afirmação do esporte

As três décadas seguintes foram de afirmações do futebol americano e que marcaram pelo surgimento de diversas dinastias como os Pittsburgh Steelers, San Francisco 49ers, Dallas Cowboys, Oakland Dolphins, Washington Redskins e o Maiami Dolphings, equipes estas que foram multicampeãs nestas décadas. Além disto, novas equipes surgiram como o Tampa Bay Buccaneers, Carolina Panthers, Seattle Seahawks, Jacksonville Jaguars e Houston Texans.

Outro grande destaque ocorreu na década de 1970, com a criação do Monday Night Football. Este foi um horário televisivo das noites de segunda-feira que se tornou um recorde de audiência com a exibição, ao vivo, do melhor jogo da rodada. Além disto, a rede de TV idealizadora, ABC, inovou as transmissões com a implementação de câmeras e repórteres no campo, atrás dos gols, replays, gráficos e estatísticas.

 

 

 

Anos 2000: Uma Nova Era

Os anos 2000 vêm registrando dentro de campo, um equilíbrio entre os ataques e as defesas. Dentre as equipes que se destacaram até o momento no ataque estão o New England Patriots (foto acima), o Indianápolis Colts e o New Orleans Saints.

Já na defesa, muitas equipes garantiram títulos do Super Bowl por serem bastante fortes nestes últimos anos. É o caso do Baltimore Ravens, do New York Giants (foto acima) e do Pittsburgh Steelers.

Desde o ano de 2007, uma tentativa ousada vem sendo tomada com altos investimentos que visam à internacionalização do futebol americano. Tanto é assim que, atualmente, pelo menos uma partida da temporada da NFL é realizada em Londres, na Inglaterra. Além disto, também estão sendo realizadas partidas em Toronto, no Canadá, e ainda há planos de que o mesmo aconteça futuramente na Alemanha, no Japão e na Austrália.

Infelizmente, aqui no Brasil, não há uma previsão de quando iremos receber algum jogo da NFL. O fato é que algumas investidas estão sendo feitas para quem sabe, algum dia, o futebol americano também se torne popular, já que, fãs para isto, o nosso país tem, e de sobra.

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LIVRO: A História dos Esportes, Orlando Duarte, 4ª ed. Editora Senac, SP, 2004.
LIVRO: O Guia dos Curiosos: esportes 3ª ed. Marcelo Duarte, Editora Panda Books.
– REVISTA: Futebol Americano (Especial – 2010/2011). Emporium de Ideias Serviços Editoriais.
– SITE: Federação Internacional de Futebol Americano – http://www.ifaf.info/
– SITE: National Football League (NFL) – http://www.nfl.com/
– SITE: Associação de Futebol Americano do Brasil – http://www.afabonline.com.br/

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