Modalidades dos Jogos dos Povos Indígenas

Modalidades dos Jogos dos Povos Indígenas
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A prova de zarabatana

A zarabatana é uma prova de demonstração individual que é realizada pelas etnias Matis e Kokama. Na demonstração, o competidor posiciona-se a 20 ou 30 metros de distância do alvo, uma melancia pendurada em um tripé, e consiste em atingir o alvo o maior número de vezes possíveis.

A zarabatana é uma arma artesanal, semelhante a um cano longo, com aproximadamente 2,5 metros de comprimento, feito de madeira, com um orifício em que se introduz uma pequena seta, de aproximadamente 15 centímetros. É uma arma bastante utilizada pelos índios amazônicos para caçar animais e aves, por ser silenciosa e precisa.

 

 

 

O jogo de Xikunahity

Pronuncia-se Zikunariti, na linguagem dos Paresi e Hiara. Conhecido como uma espécie de futebol, o chute só pode ser desferido usando a cabeça. Duas equipes possuem de oito, dez ou mais atletas para cada lado e um capitão. É realizado em campo de terra batida, para que a bola ganhe impulso. Na partida, a bola não pode ser tocada com as mãos, pés ou outra parte do corpo, mas pode tocar no chão, antes de ser rebatida pela outra equipe. A equipe marca pontos quando a bola não é devolvida pelos adversários, ou seja, quando deixa de ser rebatida.

É um esporte praticado tradicionalmente pelos povos Paresi, Salumã, Irántxe, Mamaidê e Enawenê-Nawê.

A bola utilizada no jogo é de fabricação do povo Parece. É feita com a seiva de mangabeira que é um tipo de látex. O processo de confecção tem duas etapas: na primeira a seiva é colhida e colocada sobre uma superfície lisa, da qual, permanece por um tempo até formar uma camada ligeiramente espessa. Na segunda fase, é feito a parte central da bola que inclui o aquecimento da seiva de mangaba em uma panela e resulta em um película. O látex tem suas extremidades unidas, de modo a formar um saco que será inflado com ar, por meio de um canudo. Depois disso, o núcleo ganha formas arredondadas e recebe sucessivas películas de látex, obtidas da primeira etapa, até formar uma bola, secar e resfriar, ganhando consistência suficiente para pular. A bola tem aproximadamente 30 centímetros de diâmetro.

 

 

 

O jogo de Rõkrã

Joga tradicionalmente praticado pelo Povo Kayapó, do estado do Pará, é jogado em um campo de tamanho semelhante ao do futebol. Duas equipes com 10 ou mais atletas para cada lado, usam uma espécie de borduna (bastão) e o objetivo é rebater uma pequena bola (coco) que ao ultrapassar a linha de fundo de seu oponente, marca um ponto. Este esporte é bastante semelhante ao Lacrosse, praticado no Canadá, que também tem origem indígena daquele país.

 

 

 

A prova de natação

A primeira hora de um bebê indígena, quando nasce, começa com o seu primeiro mergulho, em um rio ou lago dado por sua mãe. Logo, não poderia deixar de existir um esporte que faça parte da vida dos índios como a natação.

Nas provas de natação, uma realizada nas piscinas para testar a velocidade de cada competidor e outra realizada em rios ou lagos abertos (foto abaixo) para testar a resistência de cada competidor, são praticadas por atletas masculinos e femininos.

 

 

 

A luta corporal

As lutas corporais são realizadas por homens e mulheres. Inserido desde o I Jogos Indígenas, este esporte é apenas uma apresentação das mais diversas formar de lutas de cada etnia. Justamente por este motivo, por cada tribo ter sua técnica de luta é que não é realizado disputas entre elas. Por isso são apenas feitas demonstrações das lutas existentes na cultura indígena brasileira.

 

 

 

O futebol

Praticado dentro das mesmas regras do futebol, nos Jogos Indígenas esta modalidade se destaca o aspecto lúdico da prática desportiva do futebol, tornando o flair play uma realidade. Todas as tribos levam atletas para esta competição, porém, ao contrário da popularidade que tem o futebol no Brasil, nos Jogos Indígenas o jogo não atrai grades públicos, que preferem assistir as provas esportivas mais tradicionais e as manifestações culturais.

 

 

 

Corrida com tora

Cada tora, geralmente, é confeccionada com o tronco de uma palmeira chamada buriti, que é uma espécie de coqueiro. Desta árvore, os índios aproveitam tudo dela, desde seus frutos para a alimentação, das folhas para cobertura de casas e confecção de artesanatos e os troncos para rituais e atividades esportivas.

Na preparação do corte desta madeira, há um ritual de cantos e danças. Cortado em duas partes iguais em forma de cilindros e em tamanhos iguais, nas extremidades da tora é feito um tipo de cava para que possa facilitar a pega para o carregamento dela. As toras possuem tamanhos variados e seu peso pode chegar à 120 quilos. Muitas delas são guardadas dentro do rio para que fiquem mais pesadas já que absorvem mais água.

Nesta competição, cada tribo deverá formar uma equipe com 10 atletas corredores e mais três reservas. As toras usadas nesta prova são selecionadas pela comissão organizadora, assim como o número de voltas a serem dadas na arena, largada e chegada.

 

 

 

A canoagem

A canoa que é usada pelos índios como meio de transporte e para a pesca em lagos e rios, também é utilizada para as provas de canoagem dos Jogos dos Povos Indígenas. No início, havia uma grande preocupação por parte da comissão do evento, pois cada tribo tinha a sua tecnologia e tamanho de canoa. O problema foi resolvido quando a comissão optou por escolher as canoas da tribo Rikbatsa, que ficam no norte do Mato Grosso e são exímios canoeiros. Suas canoas ofereciam condições de aceitação pela maioria dos povos participantes nos jogos e foram aprovadas para as competições. Estas canoas são utilizadas desde a terceira edição dos Jogos Indígenas.

Nas provas, cada delegação pode inscrever uma equipe com dois atletas e a prova é realizada em rio ou lago aberto, cujo percurso e distância é escolhido pela Comissão Técnica.

Cada competidor traz o seu próprio remo e o vencedor é aquele que cruzar primeiro a linha demarcatória de chegada.

 

 

 

A prova do cabo de guerra

É a modalidade que serve para medir a força física de cada equipe. Esta competição é realizada desde o primeiro Jogos Indígenas e conta com a participação de homens e mulheres. Geralmente, cada delegação pode inscrever até dez atletas e mais dois reservas, uma para equipe masculina e outra para a equipe feminina.

Esta é uma das provas mais esperadas pelos atletas, pois muitas equipes treinam intensamente em suas aldeias, puxando grandes troncos de árvores.

 

 

 

Prova de arremesso de lança

Na tradição indígena, a lança é utilizada para a caça, a pesca ou para defesa contra ataque de animais. Contudo, cada tribo indígena tem sua técnica para a confecção de sua lança, tudo dependendo para que finalidade se destine o uso dela. Nos Jogos Indígenas, o comprimento, as ponteiras de ossos, pedras ou mesmo madeiras mais duras, como a aroeira ou pau de ferro são avaliados.

Na prova de arremesso de lança, praticada individualmente e apenas por homens, a contagem dos pontos é feita de acordo com a distância alcançada. O atleta vencedor é aquele que atingir a maior distância. As lanças são fabricadas de madeira tradicional e são fornecidas pela Comissão Técnica de Esportes.

 

 

 

Atletismo Indígena

Sempre trabalhando o corpo em busca de manterem seu preparo físico, os índios acabaram tornando-se verdadeiros atletas estando em contato com a natureza, caçando e pescando, percorrendo grandes distâncias, atravessando rios e lagos em busca de alimentos.

Com isso, nos Jogos dos Povos Ingídenas, as provas de atletismo colocam a prova de fogo o preparo físico dos índios.

A realização desta modalidade contém diversas provas. A prova de 100 metros rasos, em que homens e mulheres participam, é a considerada ideal para o modelo dos Jogos dos Povos Indígenas. Além dela, também é realizada a prova dos 4×100 metros e o salto em distância. Nas provas de resistência, existem as provas de média distância, do qual, cada equipe indígena participa com dez atletas e vão se revezando a cada 100 metros e a prova dos 5000 metros, disputada por atletas masculinos.

 

 

 

Prova de arco e flecha

Este instrumento, muito usado pelos índios para a caça e a pesca, tornou-se também uma prática esportiva, sendo disputada entre aldeias e contra não indígenas.

O arco, na maioria das tribos indígenas, é feito com o caule de uma palmeira chamada de tucum. Sua cor é escura e é muito encontrada próximo aos rios. Outras tribos, como o povo Gavião do Pará, por exemplo, confecciona seu arco com uma madeira de cor vermelha chamada aroeirinha. Já os povos do Xingu, utilizam o pau-ferro, o aratazeiro, o pau de arco e o ipê amarelo. Os índios do alto Amazonas usam muito a pupunha, enquanto as tribos de língua tupi são as únicas que utilizam a madeira das palmeiras. O tamanho de cada arco varia de acordo com a cultura de cada povo.

A flecha é feita de uma espécie de bambu que é chamada de taquaral ou caninha. Sua ponta é feita de acordo com a tecnologia de cada tribo. Há também flechas mais longas e suas pontas são tipo serra, muito usadas para a pesca. Muitas pontas são feitas na maioria das vezes com a própria madeira da flecha, porém, alguns povos colocam ossos ou então dentes de animais como ponta da flecha.

O arco e a flecha é uma prova individual masculina e cada atleta terá o direito a três tiros e deverá trazer o seu próprio material. O alvo é um desenho de um peixe e é colocado a uma distância de aproximadamente 30 metros. A contagem dos pontos é a soma de acertos em cada parte do alvo, que possui pontuações variadas. Vence aquele que fizer mais pontos.

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
– SITE: Fundação Nacional do Índio (Funai) – http://www.funai.gov.br/
– SITE: Ministério dos Esportes – http://www.esporte.gov.br/

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