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Origem e História do Parapente

Origem e História do Parapente
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O surgimento do voo livre – Otto Lilienthal

Antes de sabermos do surgimento do Parapente ou Paraglider (como preferirem), vamos ver como surgiu o voo livre.

Em 21 de novembro de 1783, os desenhos de Leonardo da Vinci ganharam vida com os irmãos Montgolfier (foto acima) quando voaram oito minutos em um balão criado por eles. Outros balões vieram após este feito, porém, o homem insistia em voar igual aos pássaros. Vários objetos voadores foram inventados, contudo, o erro em insistir na batida de asas idênticas a dos pássaros fazia com que vários projetos de voar não obtivessem sucesso.

Isso tudo durou até o final do século XIX, quando Otto Lilienthal (foto acima) construiu um objeto voador muito semelhante a uma asa-delta, ou seja, podemos afirmar que a primeira asa delta foi criada por Lilienthal e, portanto, ele seria o inventor do voo livre.

Otto Lilienthal fez mais de dois mil voos planados ficando bastante famoso. Em 1896, infelizmente em um trágico acidente, ele acabou falecendo.

 

 

Francis Rogallo – o re-inventor do voo livre

Engenheiro da NASA na década de 1950, Francis Rogallo foi incumbido a realizar um projeto para a criação de um pára-quedas mais eficiente para a reentrada das cápsulas espaciais na atmosfera terrestre.

Seu projeto segue na década de 1960 e Rogallo cria uma asa com uma estrutura feita em tecido inflável. Surgia então o primeiro pára-quedas capaz de planar.

O nome paraglider foi imediatamente adotado, porém, o projeto de Rogallo ainda era cercado de mistérios com relação ao projeto de abertura e também a possibilidade dos ocupantes das cápsulas espaciais poderem manobrar o invento de forma segura. Os testes fracassados feitos com aeronaves, as dificuldades operacionais e os problemas financeiros de orçamento, interromperam os projetos de Rogallo.

Interessantemente, os norte-americanos com estes mesmos projetos acabaram dando a origem às asas deltas atuais. Com isso, Rogallo era o re-inventor do voo livre.

 

 

David Barish – o pioneiro do parapente

O norte-americano David Barish, engenheiro em aerodinâmica e pára-quedista, foi incumbido de fazer um pára-quedas para o projeto Apollo. Após alguns protótipos, em 1965, David constrói uma espécie de velame e com ele realiza alguns testes no monte Hunter, nos Estados Unidos, para ajustar o equipamento.

Possuindo uma forma diferente dos parapentes atuais, este equipamento já contava com o bordo de ataque composto de extradorso e intradorso (foto abaixo) e dois painéis independentes. O tecido inferior cobria um terço da corda e ele era composto inicialmente de três gomos e, logo depois, passou a ter cinco gomos.

David chegou a construir um equipamento com um planeio de 4,2:1 (planeio significa a capacidade de deslocamento de uma aeronave em que, neste caso, cada metro que o parapente se deslocava para baixo, avançava três, portanto um planeio de 3:1).

No ano de 1966, David realizou alguns voos de demonstração, porém, não despertou o interesse das pessoas. Mais tarde, em um dos primeiros manuais de voo livre, o Hangliding Manual, publicado em 1973, que era baseado nas pesquisas de David Barish, serviria de referência didática para os pioneiros de Mieussy e seus primeiros voos.

 

 

Mieussy, a cidade berço do Parapente

As pesquisas feitas por Domina Jalbert, que projetou o primeiro pára-quedas quadrado de salto que usava células, tiveram continuidade no trabalho de Steve Snyder. Com os novos pára-quedas, era possível conseguir uma precisão de pouso até então altamente improvável com os pára-quedas redondos. Foi então, com este tipo de pára-quedas, que mais tarde, o parapente começaria a se manifestar.

Em 27 de junho de 1978, na cidade de Mieussy, no sul da França, dois pára-quedistas decolaram de uma pequena colina. Eles se chamavam Jean Claude Bétemps e André Bohn.

No dia seguinte deste primeiro teste, os dois pára-quedistas convidam mais um para saltar junto com eles chamado, Gerard Bosson. Os três continuam a fazer suas decolagens e a notícia logo se espalhou. Foram 15 pilotos em 1978, 50 em 1979 e 500 em 1982.

Este novo esporte nem nome tinha. Primeiramente havia se pensado em “pára-quedas de montanha”, depois veio “voo de pente” até chegarem ao então conhecido “parapente”. Pente, do francês, significa “encosta”.

Com a idéia de escalarem as montanhas e lá de cima terem a oportunidade de descê-la com um parapente, fascinava os amantes do esporte. Com isso, vários novos praticantes começavam a escalar as montanhas e praticar a nova brincadeira. Os coloridos vindo do alto das montanhas pelos novos objetos voadores começavam a surgir nos céus e o parapente, enfim, conquistava as montanhas.

 

 

O parapente vira esporte profissional

No ano de 1982, Roger Fillon, decolou a uma altura de 4.121 metros em Chamonix, na França. Em 1985, Oliver Jousse conseguiu permanecer voando durante 1 hora e 45 minutos em Mieussy. Roger Bedouet voou 2 horas e 40 minutos e Gerard Bosson conseguiu 3 horas.

A cada voo de um parapentista o recorde era quebrado. Richard Trinquier conseguiu permanecer no ar por 5 horas e 20 minutos com um parapente de 11 células, o Surfair. Dez dias mais tarde, tudo isso no ano de 1982, no Paquistão, do monte Gasherbrum, Pierre Gevaux realizava o primeiro voo de parapente a oito mil metros de altura.

Em 26 de setembro de 1988, Jean Marc Boivin (foto) decolou do topo do Everest com um Genair 510 da Ailes de K (foto abaixo) chegando ao pouso a 2500 metros mais baixo. Este voo seria repetido em 2001 pelo casal Claire Bernier e Zed Bertrand num voo duplo.

Com a adoção do esporte no mundo do voo livre, em 1987, com o grande crescimento da modalidade, o esporte já possuía mais de 5 mil parapentistas na França e mais de quarenta escolas.

A escolha do equipamento era bem simples, ou era um com sete células ou outro com nove células. Naquela época não existia a diferença atual entre as asas para iniciantes ou competidores.

 

 

As primeiras competições de parapente começam a surgir

Devido à melhora do planeio, as competições de parapente começaram a ficar mais comuns. Países como França e Suíça, iniciavam campeonatos nacionais. Inicialmente, as provas eram apenas de permanência e pouso, mais adiante, surgia a prova de distância percorrida.

A partir de 1989, os dois tirantes (união entre as linhas) davam lugar a três ou quatro e o alongamento (que é a proporção entre área e envergadura), começava a aumentar.

Atualmente, na Europa, é estimado que mais de 250 mil pessoas voem de parapente e o esporte cada vez mais vem crescendo no mundo do voo livre e, em cada competição, um novo recorde é quebrado.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
– LIVRO: Voando de Parapente: nas entrelinhas do esporte. Silvio Ambrosini. São Paulo: IBRASA, 2007.
– SITE: Associação Brasileira de Parapente – http://www.abp.esp.br/
– SITE: Associação Brasileira de Voo Livre – http://www.abvl.com.br/
– SITE: Federação Aeronáutica Internacional – http://www.fai.org/
– SITE: Comissão Internacional de Voo Livre – http://www.fai.org/hang_gliding/

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